O Romance que sonhei



Há quem diga que todas as primaveras são iguais. 
Que todos os Homens são mortais, 
E que tudo o que  vem um dia se vai.

Porém eu penso no romance que sonhei. 
Nas fraquezas que deixei
E no amor que levei. 

São os olhos que derramam água
Que fazem da primavera um Inverno,
É o passado soturno que não dá trégua 
Que transforma o presente num desassossego eterno.

E eu penso no romance que sonhei, 
Nas coisas que falei, 
Nas cartas que declarei, 
Nas odes que cantei.
 
Se há memórias há passado 
E se há passado há histórias. 
Para esquecer? Ou talvez para contar? 
Será um livro que se fechou, para não ser aberto? 
Ou apenas um capítulo encerado? 

Mas eu penso no Romance que sonhei, 
Nos lugares por onde andei 
Nas pessoas que toquei, 
Nas rosas que plantei. 

Vejo no horizonte o caminho para alcançar o coração 
E nesta primavera terei de partir, 
Mas não consigo tirar de mim aquela imagem. 

E se eu pensasse em como terminei, 
Nas feridas que formei, 
Nas vezes que eu chorei, talvez eu pudesse partir! 

E quando eu não mais pensar no romance que sonhei 
E não me lembrar por onde andei 
E nem da vida que levei, o que eu farei? 

Leda Rosse


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